Orientador (a): Maira Machado Martins
Dissertação: O direito de morar e pertencer à cidade: o caso da ocupação do Casarão do Hotel Moderno
Data da defesa: 30/05/2025
Resumo:
A pesquisa busca legitimar o ato de ocupar imóveis ociosos na área central da cidade sob a hipótese de resposta e resistência às políticas e programas que até hoje não superaram o déficit habitacional. Assim, apoia-se primeiramente em entender como o processo de urbanização da cidade do Rio de Janeiro (através de uma delimitação temporal que tem seu início em 1920 e caminha até os dias atuais) de alguma forma transformou a cidade, intervindo em seu espaço geográfico e moldando a produção do espaço urbano por meio de uma lógica desigual que desenhou a cidade que vivemos hoje. A partir desse cenário, é construída uma análise crítica à cumplicidade do papel do Estado no decorrer dos anos, seguido pelos programas atuais que reforçam políticas de remoção na cidade. Dessa forma o referencial teórico é instigado a partir dos conceitos precursores de Henri Lefebvre sobre direito à cidade, que é complementado pelos conceitos de direito à cidade e à moradia de David Harvey, onde tais direitos são exercidos em sua totalidade quando caminham juntos. Diante disso, tem-se como objetivo refletir sobre as camadas (localização das moradias produzidas, incentivo do estado ao mercado da construção civil, segregação e déficit habitacional) que atravessam o fenômeno de ocupar imóveis ociosos no centro da cidade, e que vem crescendo nos últimos anos. Assim, o campo de estudo para a pesquisa se faz presente através da Ocupação do Casarão do Hotel Moderno, estabelecida em um imóvel que hoje pertence à União. A Ocupação, localizada no Bairro da Glória, enfrenta impasses na sua legitimação. Pretende-se, então, através do método etnográfico, compreender as especificidades desse caso a partir da convivência experimentada em campo e da construção da história, a partir das narrativas de seus moradores.